Estêncil: uma arte do tempo das cavernas

Técnica milenar de copiar imagens abriu a série de Encontros Criativos do Comer Pra Quê?

O movimento Comer pra quê? iniciou uma série de Encontros Criativos com estêncil, fanzine e filme-carta. A proposta é provocar reflexões sobre as práticas alimentares e suas conexões com a política, a sustentabilidade e a saúde, utilizando linguagens artísticas que tem ganhado popularidade entre os mais jovens e artistas contemporâneos. Ao todo serão 12 encontros gratuitos e voltados para participantes com idades entre 15 e 24 anos. As sessões estão acontecendo em três universidades públicas: UERJ, Unirio e UFRJ e na Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio.

O primeiro Encontro aconteceu na Escola de Nutrição da Unirio, com a mediação do artista Márcio Lazaroni, conhecido como Laza. Ele é fundador da Fazenda Faraó, é também educador e permacultor. Gosta de sair da cidade para estar no campo e acredita na importância do engajamento social. Laza reconhece a importância de atividades em grupo e de integração com a natureza. “Durante toda a minha vida, sempre que possível, aproveitava as férias e os feriados longe da cidade”, relata o designer aficionado pela natureza.
_MG_0014O educador e artista começou a sessão explicando que o estêncil é uma técnica que surgiu com o homem das cavernas, que fazia seus desenhos e inscrições nas pedras. A principal vantagem de utilizar um estêncil é o fato dele poder ser reutilizado para produzir várias vezes e rapidamente a mesma letra ou desenho.

Outra curiosidade é referente ao custo do produto, que por ser confeccionado artesanalmente, possibilita a produção de um estampado em muitas cores e com isso diminui significativamente seu preço, podendo assim ser desenvolvido em grande escala. Atualmente, o estêncil ficou conhecido por suas intervenções urbanas e por servir como forma de expressão dos seus artistas. Dentre estes, vale destacar alguns dos mais famosos, como por exemplo o britânico “Banksy” e o francês, pioneiro, “Blek Le Rat”.

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Os participantes desse Encontro são alunos da Escola Municipal Roma, em Copacabana, e integram projetos do Centro de Referência de Assistência Social (Cras) Sebastião Teodoro Filho, que atuam com estímulo e reforço no processo de aprendizagem. Os assuntos propostos para a criação e reflexão foi a água e sustentabilidade, que estão entre os temas mobilizadores do movimento Comer pra quê?

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Após uma breve conversa sobre os usos da água na produção alimentar e sua importância vital para o planeta e os seres vivos, os jovens começaram a produção de seus estêncils. Primeiro o desenho é feito no papel, depois é transferido para uma chapa  (tipo de radiografia) e o Laza ficou com a tarefa de passar a caneta de solda para fazer a “máscara” que foi reproduzida em ecobags e camisetas.

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Laza ao lado do estudante João Victor

João Victor Caetano, de 17 anos, já está fazendo planos para levar essa proposta para a escola. Seu estêncil foi o desenho de uma baleia dentro da garrafa. O jovem justifica sua arte: “É como se toda a vida do planeta Terra estivesse acumulada dentro da garrafa. E não tem esse negócio de jogar fora o lixo e a água fora porque vai continuar aqui. O fora não existe. Temos que cuidar para que toda a vida permaneça aqui na terra”.  Cada jovem confeccionou uma ecobag e uma camiseta com o tema proposto.

Os participantes foram acompanhados pela professora de geografia Sandy Regina e a coordenadora pedagógica Lindalva Lopes. “Eu acho importante que esses alunos que têm uma realidade social complicada  sejam inseridos em outros ambientes e saiam da rotina dura em que vivem”, comenta a professora. Lindalva concorda e completa que considera relevante mostrar que eles são criativos e têm capacidade.”Muitos não acreditam nem neles mesmos. É bom saber que podem ter autonomia e podem fazer mais do que a realidade apresenta”. O próximo Encontro Criativo de Estêncil será no dia 08 de maio. Para saber mais informações, acesse a página do evento no Facebook

Confira algumas imagens do Encontro Criativo de Estêncil

Por Juliana Dias e Andressa Alcântara
Fotos: Hector Santos

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