Por mais processos criativos para refletir

Porto Alegre foi a segunda cidade visitada pela equipe do movimento “Comer Pra Quê?” no dia 25 de maio, na unidade Sesc Centro.  

A primeira parte do lançamento regional foi dedicada aos parceiros estratégicos, com o intuito de apresentar as estratégias desenvolvidas para mobilizar as juventudes. A apresentação foi feita por Thaís Salema, coordenadora acadêmica do projeto “Alimentação como ação política: promoção da alimentação adequada e sustentável para jovens”, que deu origem ao movimento. 

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Thaís Salema

 

Thaís destacou que os diálogos sobre alimentação podem ser provocados com os 10 temas mobilizadores, gerados a partir dos encontros com jovens das cidades do Rio de Janeiro, de São Paulo, Recife e Porto Alegre. Buscando trazer mais perguntas do que respostas prontas, o conteúdo audiovisual serve de “entrada” para aguçar uma conversa sobre assuntos mais densos como sustentabilidade; conveniência e convivência na hora de escolher o que comer; a comida como patrimônio; cozinha e gênero; a influência da publicidade; e o uso da água na produção alimentar. Essas pautas emergiram nas quatro capitais brasileiras. A partir daí, foram transformadas em vídeos e animações, num processo mediado por jovens, desde à captação das imagens, a edição, o roteiro e a seleção dos entrevistados.  O resultado pode ser conferido na seção Temas Mobilizadores. Basta acessar, escolher o tema e iniciar a prosa.

Reunir uma ampla gama de assuntos para conversar sobre comida com as juventudes é uma maneira de colaborar com diferentes frentes de trabalho no campo da mobilização social e da educação. É o caso do coletivo A cidade que Queremos – POA, que abriga 24 entidades e movimentos populares. Lucimar Siqueira esteve presente no evento e se comprometeu a levar essas ideias para a rede. “A alimentação perpassa as discussões no coletivo, que é urbano mas dialoga com o campo, questiona como os alimentos chegam na cidade”, explica. Lucimar destaca o caráter pedagógico da produção alimentar e cita exemplo de grupos do coletivo, que atuam com hortas urbanas. A representante também observou a importância de associar atividades culturais debates, como tem sido feito no “Comer pra quê?” e em outros espaços de Porto Alegre.

A professora de Saúde Coletiva e Antropologia da Alimentação, Rita Cuervo, atenta para o fato de o movimento proporcionar o encontro com diversos grupos que atuam com jovens e alimentação. “Essa iniciativa fortalece a luta de muitos e vem multiplicar a ideia da comida como política, manifestação cultural, econômica e da força que a comida tem”. Antônia Cunha, nutricionista e orientadora de educação profissional no Sesc, concorda e acrescenta que a “temática é importante para falar a língua dos jovens, que faça sentido para eles” e avisa: “Já posso utilizar os vídeos na sala de aula”.

O coordenador Técnico de Ação Social do Sesc RS, Alexandre Rodrigues, conta que a parceria chega num momento estratégico, depois de 13 anos de trabalho com o programa Mesa Brasil, que atende cerca de 70 mil pessoas por mês. Além da doação de alimentos que seriam desperdiçados, Alexandre comenta sobre a realização de oficinas e palestras de cunho educativo. “A parceria com ‘Comer pra Quê?’ é uma cooperação técnica ao fornecer material de qualidade para melhor atender os jovens”.

A mesma opinião é compartilhada por Mári Estela Kenner, gerente de Saúde do Sesc RS. “Acreditamos que o processo educativo é que mobiliza e transforma, e a parceria com o movimento vem somar essa nossa forma de ação institucional. A gente entende que o jovem precisa muito de informação e conhecimento e, em cima disso, vem a possibilidade de fazer escolhas. Na saúde a gente trabalha com escolhas e a alimentação faz parte disso”, afirma. Mári salienta que o afeto e a sustentabilidade, assuntos discutidos nos conteúdos do movimento “tem a ver com jeito do Sesc fazer saúde e educação”.

O segundo momento do lançamento foi realizado com os jovens. A apresentação foi mediada por Elliz Celestrini e Thaís Pereira, membros da equipe do “Comer pra quê?. O assunto girou em torno da influência da  publicidade e da propaganda nas escolhas alimentares. “Você come propaganda?” A imagem que se vê nas telas é “meramente ilustrativa?”. O grupo formado por cerca de 50 participantes foi instigado a pensar e lançar novas perguntas para temperar o diálogo. Após a exibição dos vídeos que tratam desse assunto, Elliz e Thaís convidaram os meninas e as meninas para construírem suas mensagens com fanzines.

Caio Bonamigo, de 25 anos, é líder do movimento de jovens do Slow Food e acha fundamental a mobilização através do alimento. “Cada vez mais as pessoas se tornam fortes atores político a partir de sua alimentação”. Ele pontua que a abordagem através da arte é uma maneira de empoderar a juventude e fazer que se sintam à vontade para refletir.  A estudante Kerolen Kingeski, 14 anos, preparou um conto sobre a história de uma maçã que comia humanos, e sua mãe lhe orientou para não comê-los pois este se alimentavam com venenos. Para a jovem, o tema lhe interessa diretamente porque está relacionado ao seu corpo. “Tenho que me cuidar, saber o que posso ou não comer e quantas vezes”, diz.  Kerolen acha o fanzine uma forma de liberdade de expressão de suas opiniões, usando formas divertidas para conversar.

Bianca Correa, de 22 anos, é estudante de nutrição e considera a abordagem diferente ao trazer o artesanato para falar de alimentação saudável. “Refletir e ao mesmo tempo construir algo é produtivo, pois nos faz pensar mais atentamente”. Foi o que relatou Gustavo Vargas, de 15 anos, que fez seu primeiro fanzine. “Esse encontro me fez pensar que deveria mudar a alimentação e não ir mais pelos comerciais da televisão que hoje em dia são os que mais têm. Apesar de anunciar que o produto é bom, sabemos que faz mal para a saúde”, finaliza.

Para acompanhar as imagens do Lançamento Regional do “Comer pra Quê?”, acesse http://www.comerpraque.com.br/categoria/galeria-de-fotos/

Conheça nosso cardápio de  temas mobilizadores e puxe uma conversa: http://www.comerpraque.com.br/temas-mobilizadores/

Por Juliana Dias

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